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Saúde da mulher e da criança : necessidades, comportamentos e atitudes : Saúde materno-infantil Odete Alves; Denisa Mendonça; Alcindo Maciel-Barbosa
O presente estudo, de tipo coorte, teve como objectivo identificar necessidades não satisfeitas em saúde da mulher e da criança no distrito de Viana do Castelo e os factores que lhes estão associados e conhecer as atitudes e comportamentos da mulher face à sua saúde e à da criança. Foi considerada uma amostra aleatória, representativa do distrito de Viana do Castelo, estratificada por concelho, englobando um total de 448 mulheres e 453 crianças. Utilizou-se para recolha de dados (i) a consulta dos suportes informativos referentes à saúde materna (SM) e revisão do puerpério (RP), planeamento familiar (PF) e saúde infantil (SI) existentes nos respectivos centros de saúde, (ii) uma entrevista realizada às mulheres na comunidade. A cobertura por actividade de vigilância de saúde apresenta valores bastante elevados (SM, 98,7%; RP, 80,8%; PF, 88,7%; SI, 99,8%). A análise da qualidade destes cuidados faz baixar estes valores para SM, 68,4%, RP, 51,6%, PF, 19,0%, e SI, 78,9%. Um esquema de vigilância adequada em SI está associado negativamente a uma elevada paridade (paridade 3, quando comparada com paridade = 1: odds ratio ajustado de vigilância inadequada (OR) = 5,06; IC 95%, 2,49-10,31). Pertencer a um grupo etário superior (grupo etário 35 anos, quando comparado com grupo etário = 20-34 anos: OR = 3,93; IC 95%, 1,16-13,25) e ter uma profissão de operário especializado/semiespecializado (quando comparada com o quadro superior/médio: OR = 2,78; IC 95%, 1,25-6,17) constituem factores de risco de uma baixa cobertura em PF. A não marcação pelo profissional de saúde da próxima consulta de RP e de SI induz um risco superior de não comparecer àquelas consultas (respectivamente OR = 4,89, IC 95%, 3,11-7,71, e OR = 2,41, IC 95%, 1,16-5,03) quando comparado com o das mulheres/crianças a quem foi marcada. Os profissionais de saúde devem conhecer e valorizar os vários factores determinantes associados às características da mulher (idade, paridade, escolaridade, actividade profissional) que ainda se apresentam como factores de risco de vigilância inadequada, bem como preocupar-se com a marcação da próxima consulta e a efectivação da consulta de PF no mesmo dia da consulta de SI, já que com estas simples medidas organizativas poderão contribuir para uma maior adesão ao cumprimento destes programas de saúde.
Palavras-chave: saúde da mulher; saúde da criança; saúde materna; planeamento familiar; saúde infantil; vigilância adequada; necessidades em saúde; atitudes; comportamentos.
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